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Sobre o livro
O Credo Político faz parte de um discurso de Ruy Barbosa, no Senado Federal, em 13 de outubro de 1896, realizado por conta de críticas de um adversário da política baiana, o deputado federal César Zama.
Para fazer sua defesa, Ruy rebate à provocação vinda da Câmara dos Deputados, fazendo um relato de sua trajetória política dos últimos anos. Mostra referências suas em cartas de outros ilustres políticos da época endereçadas a ele e textos saídos na imprensa. Na sua construção retórica, ao mesmo tempo que edifica suas qualidades, demole a reputação do adversário político, produzindo um de seus textos mais espetaculares.
A inimizade
Aristides César Spínola Zama (César Zama) era médico, político, escritor, jornalista e foi deputado federal constituinte pela Bahia em 1891. Durante o governo de Floriano Peixoto, de quem também divergia, Zama tornou-se ferrenho adversário de Rui Barbosa, a quem denunciou ser responsável por crimes contra a nação e o povo brasileiro, a exemplo do encilhamento, quando de sua passagem pela Ministério da Fazenda.
Da inimizade e da acusação surgiu o discurso “O Jogador” ou a “Resposta a César Zama”, aqui chamado de “Credo Político”. O texto, o discurso e o evento que se gerou em torno disso foi motivo até de referência irônica de Machado de Assis: Ruy transformou a eleição para o Senado, a que concorria, e de Zama para a Câmara, em verdadeiro plebiscito, forçando a Bahia a optar entre um dos dois. Venceu Ruy Barbosa.
Assim hoje como ontem
Este texto de Ruy Barbosa mostra pra nós hoje que, assim como ontem, vivemos na política os mesmos casos de críticas a adversários, de brigas de egos, que pouco têm a ver com o bem da população, mas sim com os estados de satisfação pessoal dos políticos em relação aos “colegas”, de partido ou de outros, e a vontade de ser ou estar no poder. Aos políticos de hoje, a parte honrosa da dedicação (e não profissão) já está perdida. “Não há, senhores, nem pode haver aliança entre a política e os meus interesses privados”, ensinou Ruy Barbosa neste texto, mas poucos aprenderam (ou leram).
Esta publicação da Convivivm serve justamente para que mais pessoas possam ler tais ensinamentos do Credo Político e percebam que a atividade política é uma ação de convívio, do bom convívio, e não uma profissão para que alguns se deem bem na vida (os que passam na prova de popularidade que são as eleições) e mandem e decidam no jeito que os outros (eleitores) devem viver.
Em determinada parte do texto, Ruy Barbosa parece estar se referindo a situação de hoje: “Toda ordem política estabelecida tem devotos, que se cevam (nutrem) na exploração dos seus defeitos. Esses são os apologistas das virtudes da idolatria, que é apenas o parasita feroz dos abusos organizados”.
A liberdade acima de tudo
Para Ruy Barbosa, acima das formas de governo, está a felicidade da pátria. Mas acima da pátria ainda há outra coisa: a liberdade.
“…A liberdade é a condição da pátria, é a consciência, é o homem, é o princípio divino do nosso existir, é o único bem, cujo sacrifício a pátria não nos pode reclamar, senão deliberada ao suicídio, com que o amor da pátria não nos permitiria condescender. Quando uma nação se resigna ao cativeiro, abdicando inteiramente a vontade de ser dona de si mesma, a pátria recolhe-se ao fundo das consciências revoltadas, ou se traslada para o exílio das minorias insubmissas, cuja virtude vão alimentar no ambiente da hospitalidade estrangeira o lume da ressurreição, que se extinguiria abafado na estreiteza de um ninho de escravos”.
Uma correção passageira
Pela passagem dos 150 anos do nascimento de Ruy Barbosa, em 1999, o Senado lançou um livro com uma série de textos do Águia de Haia, mas para além do que os textos trazem, os organizadores e políticos da época, muitos deles ainda habitando aquele Senado, partidários de centro-esquerda, tentaram, por meio de artigos e prefácios, fazer parecer que o advogado, jornalista e político brasileiro seria um “progressista”, liberal ao molde norte-americano da atualidade. Nada mais falso, típico de quem quer mudar o passado a sua imagem e semelhança para dominar o presente e o futuro.
Mas de onde eles tiraram que Ruy Barbosa seria um progressista ao se denominar um liberal? Só pode ser da cabeça deles mesmos. O sofisma que entabularam para querer puxar Ruy Barbosa para o espectro da esquerda foi: Ruy Barbosa se diz um liberal; os liberais autodenominados hoje são os progressistas; logo, o Águia de Haia é um político de esquerda. Mais falso, impossível.
Outros puxam por uma conferência em 1919, durante a segunda campanha eleitoral empreitada por ele, quando abordou a questão social na política brasileira, e ensejou um plano de reforma social. Estas duas palavras conjugadas, para ouvidos canhotos, sempre se referirá a ideias progressistas e socializantes.
Este não é o Ruy de Oração aos Moços, ou dos textos publicados nesta coleção. Ruy Barbosa disse textualmente (e está neste livro) que ele é um liberal ao estilo inglês: “Eu era, como sou, um democrata liberal e um liberal da escola inglesa”. Portanto, passava longe do pensamento dos liberais da França, que causaram a revolução e o terror da guilhotina e que colocaram a ideia de igualdade forçada a frente da liberdade e da fraternidade. Os progressistas de hoje, sim, são imagem e semelhança dos jacobinos; e olha o que o Sr. Ruy Barbosa dizia deles: “Às paixões, Sr. Presidente, acabam quase sempre, pela idolatria; e esta parece que é especialmente a sina das paixões anárquicas. O mundo já as viu, sob o jacobinismo sanguinário de 1792 e 1793, adorar a deusa da razão, uma estrela de lupanar, oferecida ao culto dos fanáticos, da eminência sacra de um altar, na vastidão pública de uma praça”.
Há outros trechos de sua verve onde podemos entender melhor sua aversão ao pensamento de esquerda, mas que políticos espertinhos, querendo se colocar ao lado de tão nobre político brasileiro, fingindo lhe ser parecido, não leram ou entenderam.
“O suor do homem que a madrugada encontra todo dia na oficina, que passa da casa de seus pais para a casa de seus filhos pelo caminho das afeições desinteressadas, que não desvia da mesa de seu lar os frutos do seu trabalho em derivativos inconfessáveis, é uma orvalhada continua do céu, que extrai da atividade honesta incalculáveis tesouros, enflora o interior laborioso com as amenidades mais raras do conforto, do asseio, da graça, e lhe acende em torno o esplendor tranquilo do contentamento, da segurança, da distinção; ao passo que, na casa do vicioso, a porta da prodigalidade, por onde saem os milhões, é sempre mais larga que a do acaso, por onde eles entram, e as privações, inculcadas fora como característicos da honra, convivem com a fúria dos apetites mais aguçados e o desespero das decepções mais merecidas.”
Será esta sentença um exemplo de postura progressista? Óbvio que não. Quando fala do pai e da família, suas proposições são claras. A família está em primeiro lugar como instituição. “Deus agraciou-me com a fortuna, preciosa entre todas, de não ter vícios. Por isso todos os frutos do meu trabalho pertencem a minha família e aos meus deveres”. Ainda: “Vivesse a minha pessoa sem alinho, minha família sem conforto, minha casa sem contentamento, meus filhos sem educação, minha mulher sem a gentileza que reflete carinho do esposo, e a pureza das minhas ações considerar-se-ia manifesta na sordidez da minha miséria”. E mais: “Era ele (o pai), na minha província, a maior cabeça de sua época, o orador mais perfeito que já conheci, distinguindo-se ao mesmo tempo, como um caráter de limpidez e inflexibilidade adamantinas. Com tais qualidades, não podia ser feliz na política, madrasta sempre, entre nós, aos espíritos de escola e às consciências inflexíveis”. Mostra assim sua admiração ao pai e ainda aponta que se dá mal quem luta pelo que é certo na política, pois é o caminho mais difícil. Fácil é fazer conchavos.
Por fim
Este texto, como disse antes, é um dos mais espetaculares produzidos pelo Águia de Haia. Uma aula de retórica, para quem quiser aprender com um mestre nesta área. Além disso, mostra uma postura pouco vista de político brasileiro, que atuava pela causa justa, pela liberdade acima de tudo, e pela pátria.
Cinco discursos memoráveis em um livro
Este livro contém cinco discursos sobre Política, Imprensa e Justiça, um compêndio com os melhores discursos de Ruy Barbosa sobre estes assuntos. São cinco textos, incluindo o Credo Político.
