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Notas sobre a Democracia

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Sobre o livro

Notes on Democracy, traduzido agora para o português pela Convivivm Editorial com o título Notas Sobre a Democracia, é o primeiro livro de Mencken publicado em português fora a coletânea Livros dos Insultos, com seleção de textos do jornalista Ruy Castro, para a Companhia das Letras.

Mencken, jornalista e crítico social norte-americano particularmente bairrista, deve mesmo ser pouco atrativo para um público brasileiro. Ainda mais escrevendo sobre uma América entre os anos 1910 e 1950. Mas neste Notas Sobre a Democracia, ele trata de um assunto hoje ainda atual, revelando o que ela produz de ruim para a sociedade. Pesando os prós e contras na balança, o leitor fará sua própria conclusão. Abstraindo os fatos da época, enxerga-se claramente a essência e o que a Democracia de ontem tem de igual a de hoje, que já está piorada.

Mencken faz muita ironia e elas não são tão óbvias. Alerto isto ao leitor para caso tenha dúvidas sobre se o que ele diz é literal ou zombaria perspicaz, pois não seria de bom-tom o tradutor fazer sinalizações a cada uma delas. Talvez, nem todas ele mesmo fisgou. O sarcasmo e a sinceridade acerbada também são características de Mencken. Se o leitor não tiver cabeça para ler que certas pessoas têm uma “espécie de contentamento embriagado, como o de um porco em um chiqueiro confortável”, melhor não ler este livro.

Adepto de ideias de Nietzsche, é natural para ele chamar o homem, do mediano ao humilde, de inferior. O leitor, talvez, assumiria um papel mais consolador e chamaria de outra coisa ou nem chamaria, para evitar polêmicas e se somar aos politicamente corretos, mas Mencken atropela o leitor e chama a coisa do que ela é, goste ou não. Nas próprias palavras dele: “Existem homens que são naturalmente inteligentes e podem aprender, e há homens que são naturalmente estúpidos e não podem”.

Como você leitor já entendeu, Mencken é um elitista. Mas um elitista que tem como régua a vontade do homem em conhecer. Não a humildade financeira, ainda que uma possa ser fruto da outra. Em determinada passagem ele diz: “Em tudo isso, há muito menos anseio por perfeição moral do que mero ódio à beleza. O homem comum, de fato, não deseja a perfeição moral. O que o aflige nesse departamento é simplesmente o medo da punição, ou seja, o medo dos vizinhos”. Daí o problema de a liberdade ser algo não procurado pelo homem comum, que prefere a segurança.

Mencken tem seus culpados preferenciais para a questão das falhas das democracias, sustentadas, segundo ele, naquele tempo (estamos falando dos primeiros anos da década de XX), pelos puritanos. Ele estava louco da vida com eles por forçarem a Lei Seca, e como você já deve saber, Mencken era um bebedor convicto. Os puritanos, como minoria organizada, faziam a cabeça dos congressistas, que passavam leis estúpidas, como proibir o ensino das teorias evolucionistas. Ele ainda esnoba a atitude do liberal americano médio em relação à Liga das Nações, algo que para ele é caso de psicopatologia democrática.

Notes on Democracy foi publicado pela primeira vez em 1926, mas teve tiragem inicial de apenas 235 exemplares. Outra edição foi impressa no final de 1926, também com poucos exemplares. Nos EUA ainda houve edições lançadas em 2008 e 2012.

Mencken classifica os agentes da Democracia em duas categorias: o demagogo, que “prega doutrinas que sabe serem falsas para homens que sabe serem idiotas”, e o demascravo, “que ouve o que esses idiotas têm a dizer e depois finge que acredita ele mesmo”. Há frases lapidares no livro, como: “A democracia é uma crença patética na sabedoria coletiva da ignorância individual”, e “A democracia também é uma religião. É a adoração de chacais por burros”.

É este estado de coisas que o crítico social mais detestado e temido da imprensa americana daquela época escreve aqui. Hoje estaria, certamente, observando a tomada de poder da democracia pelas minorias organizadas de esquerda e rindo disso (ou se descabelando).

Bem, como o leitor vai notar, Mencken não está no ramo do prognóstico, como ele mesmo diz: “Não estou envolvido na terapêutica, mas na patologia”. Mas no fim do livro, ele até dá seu diagnóstico. Por fim, diria que ler Mencken é um desafio por causa disto tudo exposto. Espero que o leitor esteja preparado.